Sartorato representa mundialmente o Brasil e sua cidade natal, Cubatão, tanto no esporte, quanto em ações sociais (Bob Nakabayashi/Divulgação) O objetivo do atleta é claro: “reafirmar que sou, de fato, um dos homens mais resistentes e determinados da história”. É o que afirma Alexandre Sartorato, ultramaratonista brasileiro, nascido em Cubatão, na Baixada Santista, e primeiro homem a dar a volta ao mundo correndo, no ano de 2007. Agora, em seu segundo desafio, iniciado em 31 de março deste ano, partindo do calor desértico do Egito, ele já percorreu 22 países até o momento — feito histórico jamais registrado em tão curto período. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Após cruzar Grécia, Albânia, Macedônia, Sérvia, Kosovo, Montenegro, Bósnia, Croácia, Itália, Vaticano, San Marino, Áustria, Liechtenstein e Suíça — onde comemorou seus 53 anos no dia 12 de maio —, Alexandre seguiu pela Alemanha, França, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, Inglaterra e, no último dia 31, sábado, concluiu o percurso no País de Gales, no Reino Unido. “É mais uma marca histórica na resistência humana. Foram 22 países desde que saí do Egito, no dia 31 de março. Ninguém fez isso em tão pouco tempo. É realmente algo sem precedentes”, comemora Sartorato. “O trajeto foi muito complicado. Acredito que nunca um ser humano sequer pensou em correr por um caminho tão desafiador.” A expedição chegou ao Brasil no último dia 2. O atleta desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, correu rumo à Baixada Santista, e agora segue pelo Litoral Sul, com destino ao Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em seguida, continua sua rota internacional pela América do Sul, passando por Uruguai, Argentina e Chile. Apesar do suporte de uma equipe de apoio, Sartorato enfrenta inúmeros desafios diários, percorrendo uma ultramaratona por dia, muitas vezes sozinho. “Na Europa é proibido correr em autoestradas, então fui obrigado a desviar por trilhas locais e estradas secundárias, o que aumenta ainda mais a dificuldade. A equipe nem sempre consegue me acompanhar em todo o trajeto”, explica. “Corro, ando e até rastejo, se for preciso. O importante é não parar.” O atleta enfrenta desafios durante o percurso, mas para ele "o importante é não parar" (Bob Nakabayashi/Divulgação) Ao longo do percurso, além da irregularidade do solo, das variações de altitude e das mudanças bruscas de temperatura — que vão do calor extremo ao frio com neve e chuva de granizo, a 2.383 metros de altitude —, o atleta também enfrenta um desgaste físico intenso: já foram consumidos mais de 600 litros de água, 200 litros de refrigerante, doze pares de tênis, dezoito pares de meias, e ele acumula mais de dez bolhas em cada pé. “No pé direito, desenvolvi uma microlesão por repetição de movimento, mas sigo firme. A mente já está preparada para enfrentar qualquer desafio”, relata. Para isso, Alexandre se preparou durante cinco anos, realizando simulações no Brasil, em locais como a Serra Catarinense, e também na Cordilheira dos Andes, além de treinos específicos no calor do Egito e no frio extremo de Urupema (SC). “Além do corpo, é preciso treinar muito a mente. São muitas horas de solidão, noites mal dormidas e desafios que vão muito além da corrida. Mas sigo determinado a reafirmar que sou, de fato, um dos homens mais resistentes e determinados da história.” Sua passagem pelo Brasil será um dos momentos mais simbólicos desta jornada, que já entrou para a história do esporte mundial. Ultramaratonista Alexandre Sartorato chegando à Grécia em seu segundo desafio. Foram 22 países desde 31 de março, marca inédita. (Bob Nakabayashi/Divulgaão) Superação e causas sociais são motivação Movido pela adrenalina e por causas sociais, Sartorato já deu a volta ao mundo em 2007, partindo do Cristo Redentor e apoiando a candidatura do monumento como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, além da organização SOS Kinderdorf International/Aldeias Infantis SOS. Antes disso, percorreu os 5,3 mil quilômetros entre Oiapoque e Chuí, extremos Norte e Sul do Brasil, em apoio ao Movimento Amanhã Sem Câncer. Nascido em Cubatão, onde viveu durante a década de 1980, Sartorato é hoje Embaixador de Cubatão para o mundo. A expedição conta com o apoio do Instituto João Cláudio e pode ser acompanhada pelas redes sociais no perfil oficial do atleta.