Os chamados carros populares, os 1.0, chegaram lá. Décadas depois do lançamento da primeira geração, eles seguem atraindo compradores, especialmente pelos preços mais acessíveis. Mas o motor está longe de ser para um “carro fraco”, oferecendo boa performance em vários modelos oferecidos por diversas marcas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os números de vendas desses veículos demonstram o peso. De acordo com ranking do mês de junho da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Femabrave), os líderes de venda, entre os carros usados, foram o Gol (Volkswagen), Palio (Fiat), Onix (Chevrolet), Uno (Fiat) e HB20 (Hyundai), todos com versões 1.0. O Gol “quadrado” foi lançado em 1992 e tornou-se um dos modelos mais populares do país por oferecer preço baixo, manutenção simples e economia de combustível. Uma curiosidade: levava 21,55s para chegar a 100 km/h e não passava de 133,7 km/h de velocidade máxima. (Divulgação/Volkswagen) Já observando os emplacamentos, o ranking tem, nas primeiras posições, Polo (Volkswagen), Argo (Fiat), T-Cross (Volkswagen), Mobi (Fiat) e Creta (Hyundai) - todos também com versões 1.0. “Existe uma valorização real dos 1.0, refletindo sua atratividade em termos de custo-benefício. O perfil de público tem aqueles que buscam economia, jovens e famílias que buscam entrar em um financiamento mais acessível, devido aos juros de hoje”, avalia Tarciso Carlos Menezes Lopez, sócio da TC Car Serviços Automotivos. Fabricado a partir de 1994, trouxe mais modernidade ao segmento, com design arredondado e boa aceitação entre jovens (Divulgação/Chevrolet) Como tudo começou Nos anos 1990, a indústria automobilística no Brasil teve a chegada dos chamados carros populares, o que representou um divisor de águas no segmento, com veículos mais acessíveis. Era o tempo do Gol 1.000, do Corsa Wind e do Uno Mille, que viraram símbolos dessa nova fase. Naquele período, o Governo Federal adotou medidas para impulsionar a indústria automotiva, se utilizando da redução de tributos sobre veículos de menor cilindrada. A iniciativa provocou queda dos preços dos carros 1.0, o que ampliou o acesso para os consumidores e fortalecendo as vendas do setor. E esse carinho pelos 1.0 não morreu mais. “Os primeiros modelos 1.0 foram pioneiros, mas hoje perderiam facilmente em potência, segurança e consumo. A evolução veio impulsionada por fatores como preço, baixo custo de manutenção e maior acessibilidade”, avalia Lopez. Na mesma década, começaram a surgir as opções com injeção eletrônica, em substituição ao carburador, melhorando consumo e desempenho. Os modelos já partiam melhor a frio, poluíam menos e eram mais confiáveis. Já nos anos 2000, quem deu as caras foram os modelos flex (motores com biocombustível), capazes de rodar com álcool, gasolina ou mistura dos dois. Houve melhoria em segurança e conforto: além disso, direção hidráulica, ar-condicionado e vidros elétricos começam a aparecer nos 1.0. Opções Ele lembra que os motores 1.0 estão presentes nos modelos compacto, SUV e híbridos, fisgando os clientes ao apresentarem suas características próprias. “Nos compactos, o destaque ainda é o custo-benefício, com preço aliado à eficiência. Já nos SUVs compactos, o motor turbo oferece mais potência (turbo) sem comprometer a economia. Nos híbridos, a tecnologia começa a ganhar espaço, ainda que em versões mais leves”, acrescenta o empresário. Os motores três cilindros e turbo foram outros marcos da evolução do 1.0. “No geral, o 1.0 era fraco e barato. Quando surgiram o três cilindros e o turbo, os carros ficaram modernos, econômicos e mais leves, com melhor desempenho”, finaliza.