Contrato de concessão por meio de parceria público-privada (PPP) é uma solução para desburocratizar o setor portuário e estimular investimentos em infraestrutura verde. A burocracia ainda é um dos principais entraves na América Latina, segundo o presidente-executivo da Associação Americana das Autoridades Portuárias (AAPA Latam), Juan Duarte. O colombiano palestrou sobre o tema nesta terça-feira (2), no 3º Encontro COP Portos Sustentáveis, na sede da Autoridade Portuária de Santos (APS). Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Iniciativas de sustentabilidade exigem investimentos grandes, o que impõe uma pressão econômica adicional aos empresários. É importante equilibrar os objetivos e desenvolver mais parcerias público-privadas. Temos que evitar a burocracia, porque ela é o principal inimigo de preservação do meio ambiente”, afirmou. Quanto à descarbonização, ele ressaltou que há desafios a serem superados. “Todos os portos abordam o problema de forma muito diferente, mas temos que garantir uma visão coletiva”. Morador dos Estados Unidos, Duarte destacou que o desenvolvimento sustentável no setor precisa de estímulo à descarbonização, incentivos públicos a investimentos privados para modernização e eletrificação de infraestruturas, além de ajustes no modelo das concessões. Duarte mencionou ainda iniciativas voltadas à economia azul, do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). “Eles reservaram mais de US\$ 2,5 bilhões para incentivar novos projetos marítimos e portuários para desenvolvimento de infraestrutura verde”. O presidente-executivo da AAPA Latam citou também os portos azuis das Nações Unidas. “Eles têm iniciativa da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) para um desenvolvimento de pesca mais sustentável, que está muito próxima e conectada com o nosso setor portuário”. Por fim, Duarte comentou sobre a ecoshape, uma estratégia do Banco Mundial para desenvolver infraestrutura portuária integrada ao meio ambiente. Brasil pode ser protagonista da transição energética O Brasil tem potencial para assumir o protagonismo da transição energética e oferecer soluções ao mundo produzindo e exportando produtos verdes, mas o desafio vai além da substituição de combustíveis fósseis por renováveis. A avaliação é do diretor de energia sustentável e bioeconomia do Instituto E+ de Transição Energética, Clauber Leite. “Muitos países querem, em 2050, estar no estágio em que o Brasil já está hoje. Nosso desafio é não perder essa vantagem e usá-la para gerar desenvolvimento sustentável”, afirmou Clauber. Em sua palestra ontem no 3º Encontro COP Portos Sustentáveis, na APS, Clauber destacou que a transição energética precisa ser compreendida como um processo técnico, econômico e social, e não apenas como uma troca de matriz. “A transição não é um fim em si mesma, é o caminho. E ela não pode ser apenas energética: é uma transição de sociedade”. O especialista apontou o papel dos portos nesse processo. Na sua visão, os complexos portuários podem se tornar plataformas estratégicas de energia limpa, viabilizando a exportação de hidrogênio verde e biocombustíveis, além de produtos industriais de baixo carbono. “Mais do que reduzir as próprias emissões, os portos brasileiros podem ajudar outros países a descarbonizar, sendo portas de saída de energias e produtos verdes”, defendeu. Clauber pontuou que o Brasil já possui vantagens competitivas com uma “matriz elétrica mais limpa do que a média mundial, produção de aço, alumínio e vidro com menor pegada de carbono e grande potencial para fertilizantes verdes. O desafio, no entanto, é manter essa posição sem retroceder com a expansão de fontes poluentes”. O diretor do Instituto E+ destacou que o País, além de exportador, pode agregar valor por meio da indústria “buscando também desenvolver tecnologias e cadeias produtivas locais”.