(AdobeStock) A Cúpula do Clima da ONU, a COP30, realizada mês passado em Belém (PA), deixou um desafio claro: ir para além dos debates e sugerir mudanças concretas na vida de empresas e das pessoas comuns, e que tenham aderência às boas práticas de ESG. A ordem é partir para as ações, com participação efetiva do setor privado e, especialmente, do poder público. Quando a gente pensa nas pautas ESG para as empresas, tem muito do E, do environmental (ambiental) e como isso impacta no social e passa pela governança. O setor privado tem uma responsabilidade gigantesca de, independentemente de vir uma legislação, já fazer a diminuição dos gases de efeito estufa, afirma o professor da Unifesp Ronaldo Christofoletti. Para ele, que esteve na capital paraense, toda a cadeia produtiva que depende principalmente das questões de desflorestamento e uso de combustíveis fósseis, óleo e gás, tem parte nos processos que geraram o problema. Enquanto o setor público tem que legalizar, é o setor privado quem vai ter que alterar os seus processos. Ao fazer uma transição para energias renováveis, está mexendo no lucro. Por isso, o setor privado tem uma responsabilidade enorme. Christofoletti reforça que, no caso dos cidadãos comuns, o compromisso com a agenda ESG está nas pequenas ações. O reflorestamento, buscar, dentro da nossa realidade, o mínimo de emissão de gases e usar transporte público e bicicletas ajudam. Mas há algo que o cidadão comum pode fazer mais: entender o que está acontecendo, como isso impacta na cidade, e cobrar ações concretas dos governantes e das empresas. Moldando o cotidiano Diretor executivo do Instituto Via Green, Conrado Bertoluzzi também participou da COP30 e entende que o evento em Belém não foi apenas mais uma conferência climática. Para ele, foi um marco e, principalmente, um espelho que mostra ao Brasil que as mudanças climáticas já estão moldando o cotidiano de quem pega ônibus cedo, depende da chuva para plantar, sofre com enchentes nas cidades e vê o preço dos alimentos subir mês após mês. Segundo Bertoluzzi, o evento também mostrou que o caminho para enfrentar essa realidade existe, está avançando e já é visível. Basta olhar para a Green Zone, que nesta edição se tornou um laboratório vivo de soluções. Ali, houve desde sistemas de energia limpa e tecnologias para agricultura resiliente até projetos de bioeconomia amazônica e de reciclagem eficiente. Em outras palavras, o futuro sustentável não é conceito, é produto, serviço, emprego e oportunidade. Ele acredita que, para as pessoas comuns, fica claro que a economia verde vai gerar trabalho real. Energia solar nas casas, manejo sustentável, restauração florestal, crédito de carbono, mobilidade elétrica e reciclagem avançada criam renda e valor local. Além disso, as cidades precisam se adaptar. A COP reforçou que adaptação urbana não é luxo, é proteção à vida. E uma energia mais limpa tende a ser também energia mais barata e estável. Para as empresas, o recado é direto: o mercado global não aceita mais negócios que ignorem o clima. Quem quiser exportar, atrair investimento ou manter reputação precisa medir emissões, reduzir impactos e garantir rastreabilidade. O maior legado da COP30, porém, é simbólico: o Brasil voltou a ocupar o centro da agenda climática mundial, não por discurso, mas por responsabilidade. Ações locais Já o coordenador regional da Baixada Santista do Movimento Nacional ODS SP, Fábio Tatsubô, aposta na integração mais profunda da sustentabilidade nas estratégias de negócio e na vida do dia a dia do cidadão. Para ele, as ações locais são tão importantes quanto as metas globais. Há necessidade de maior estímulo ao consumo consciente, mudanças no padrão de consumo de energia, além da gestão de resíduos e da economia circular. As decisões foram tomadas por chefes de Estado, mas são as ações nos territórios, nos municípios, que realmente vão impulsionar o cumprimento das metas da Agenda 2030 da ONU.