Sustentabilidade virou atitude entre micro e pequenos empreendedores (Adobe Stock) Às vésperas da 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), entre 10 e 21 de novembro, em Belém (PA), muito se fala na responsabilidade de governos e empresas na “salvação” do planeta. Uma tarefa que pode ser facilitada pela aplicação dos preceitos ESG em empresas de quaisquer portes, do microempreendedor às corporações internacionais. A missão é levar os elementos “E” (ambiental) e “S” (social) ao cotidiano de quem empreende e permitir que essas organizações, de qualquer tamanho, façam sua parte, tanto internamente quanto espalhando essa cultura aos trabalhadores e suas famílias. Da grande corporação ao pequeno comércio, todos podem (e devem) abraçar estas três letras. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um exemplo é o Manifesto ESG das MPEs, iniciativa desenvolvida pelo Instituto Nova Maré, em parceria com o Sebrae BS e Awee Business, que nasceu com o objetivo de apresentar e ajudar na inserção dos conceitos ESG dentro de micro, pequenas e médias empresas. Após a primeira edição no ano passado, com apoio do Movimento ODS Santos, ela busca apoiadores para uma nova jornada. “Ele foi estruturado em um formato semelhante ao de acelerações de negócios, planejado para ter 11 módulos de até três horas de duração, onde as empresas passam pelo processo de criação de consciência sobre os temas e interfaces ambientais, sociais e de governança que cada negócio possui”, explica o gerente ESG do Instituto Nova Maré e professor do Programa de Mestrado Profissional em Saúde e Meio Ambiente da Unimes, Nycolas Gomes. Segundo ele, os seis primeiros módulos foram focados em levar os negócios do zero até a materialidade, ou seja, construir e identificar, junto com os empresários, os temas estratégicos para suas empresas. Os cinco módulos restantes foram configurados para ajudar as empresas a se estruturarem e conseguirem implementar parte dos conceitos ESG aprendidos, seja priorizando ações, ajustando processos ou estruturas internas e até posicionando sua marca de forma diferente. “Ao todo, foram 13 coletivos e associações que aderiram ao manifesto e disseminaram o programa para seus associados. De maneira geral, 55 empresas iniciaram e 25 terminaram a jornada, abrangendo mais de oito segmentos diferentes. Ao final a turma recebeu reconhecimento inclusive na Feira do Empreendedor 2024 do Sebrae”, explica. BENEFÍCIOS De acordo com 20 das 25 empresas que concluíram o manifesto, os benefícios e oportunidades para as empresas do programa começaram a se manifestar antes de sua finalização. Ele cita alguns exemplos: 83% dos negócios geraram novas conexões e parcerias ao longo do programa; 90% criaram novas oportunidades de negócio ainda dentro do programa, enquanto se capacitavam; e 97% adaptaram ou transformaram alguma área do negócio para poder acessar oportunidades ESG. “Das 25 empresas que concluíram o programa, três delas receberam reconhecimentos ou prêmios em outras esferas após o processo do manifesto ESG, com destaque para uma delas que entrou num dos maiores programas de aceleração para negócios de beleza do país, gerido pelo Grupo Boticário e o Banco BTG”, complementa o gerente ESG do Instituto Nova Maré. CONCEITO Para a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcela Argollo, às vésperas da COP30, é natural que o debate se concentre sobre governos e grandes corporações, mas a regeneração não começa no macro — ela começa no cotidiano. “O ESG, quando corretamente compreendido, não é um programa caro ou um selo de reputação. É uma mudança de mentalidade que se traduz em decisões diárias”, afirma. Para ela, não se trata apenas de “cumprir exigências”, mas de cultivar coerência entre o que fazemos e o mundo que queremos sustentar. “Quando uma empresa — seja ela familiar, microempreendedora ou multinacional — melhora as relações internas, reduz seu desperdício e fortalece ecossistemas locais, ela se torna agente regenerativa”, emenda.