Miran Valente, Tatiana Augusto, Cláudia Duarte e Gabriela Morais no Podcast Fique Bem (Marcela Bonfanti) Amamentar é um ato de amor mas é também um divisor de águas na saúde de um ser humano. Esse é o ponto de partida do sexto episódio do podcast FIQUE BEM, que recebeu duas especialistas de peso para falar sobre os desafios, mitos e responsabilidades que envolvem a primeira infância: a médica pediatra Mirian Valente e a nutricionista Tatiana Augusto, consultora científica da Nestlé. -Podcast Fique Bem (1.466390) Com condução de Cláudia Duarte e Gabi Morais, o bate-papo foi direto ao ponto: por que os primeiros mil dias, desde a gestação até os dois primeiros anos de vida, são tão decisivos? Muito além do leite A Dra. Mirian Valente foi taxativa logo no início: "É na gestação que a saúde do bebê começa a ser definida". Segundo ela, uma alimentação adequada da gestante, controle de estresse e acompanhamento médico são cruciais para o desenvolvimento neurológico e imunológico da criança. Tatiana Augusto, com seu vasto histórico em nutrição clínica e pediátrica, reforçou que a amamentação exclusiva até os seis meses é insubstituível. “É alimento, é afeto, é proteção. Mas também é sobre ensinar o bebê a se autorregular, a ter prazer com o momento da refeição”, afirmou. Quando a introdução alimentar vira campo minado Um dos momentos mais esperados e temidos por pais e cuidadores é o início da alimentação sólida. E foi aí que o episódio ganhou uma camada ainda mais prática. Tatiana destacou que muitos erros comuns começam na ansiedade dos adultos. “A criança sente a pressão. Se o momento da comida é de estresse, ela vai recusar, vai chorar, vai associar aquilo a algo negativo”. Mirian reforçou: “A gente tem que entender que comer é uma habilidade aprendida. A gente não nasce sabendo mastigar ou aceitar texturas diferentes. É um processo.” As especialistas ainda criticaram o excesso de estímulos eletrônicos durante as refeições e alertaram para um perigo silencioso: a "nutrição vazia" dos ultraprocessados. “Tem criança que está acima do peso, mas desnutrida de vitaminas e minerais”, pontuou Tatiana. Cláudia Duarte, Tatiana Augusto, Miran Valente e Gabriela Morais no Podcast Fique Bem (Marcela Bonfanti) O papel da indústria e a realidade brasileira Trazendo uma perspectiva de quem atua em uma grande multinacional do setor alimentício, Tatiana Augusto foi transparente ao abordar o papel da indústria: “A gente não está aqui para substituir o alimento caseiro. Estamos aqui para ser um suporte quando a mãe não pode, não consegue ou está em uma rotina em que precisa de alternativas seguras e adequadas”. Cláudia Duarte aproveitou para puxar a discussão para o lado emocional e social da maternidade. “A culpa, o julgamento, o excesso de informações conflitantes... como equilibrar tudo isso?”, questionou. Mirian e Tatiana concordaram: o acolhimento precisa vir em primeiro lugar. “Uma mãe bem nutrida emocionalmente tem muito mais chance de nutrir bem seu filho”, finalizou Mirian. As dicas de ouro do episódio No final do bate-papo, as especialistas deixaram orientações valiosas: Não pule etapas. A pressa para introduzir alimentos pode atrapalhar mais do que ajudar. Evite sucos, mesmo os naturais, antes do primeiro ano de vida. Água e leite materno são suficientes. Não ofereça doces, frituras ou refrigerantes no início da vida alimentar. Isso pode moldar preferências ruins para o resto da vida. Observe, respeite e repita. A criança aprende com repetição e com o exemplo. Consulte profissionais. Informações de rede social não substituem orientação personalizada. Um podcast necessário Mais do que dicas de alimentação, o episódio é um convite à escuta ativa, à empatia com a maternidade real e à construção de uma base sólida para a saúde infantil. E, acima de tudo, é um lembrete: cada colher, cada mamada, cada escolha nos primeiros mil dias importa e muito. Onde assistir? Além de poder conferir os episódios dentro do site de A Tribuna, o podcast Fique Bem também está disponível no Spotify e YouTube. *Esse podcast é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelo conteúdo veiculado neste espaço.