Orlando Couto, Regina Mara, Cláudia Duarte e Gabi Morais no Podcast Fique Bem (Marcela Bonfanti) No episódio mais recente do podcast FIQUE BEM, a Cláudia Duarte e a Gabi Morais receberam dois convidados muito especiais: Orlando Couto atualmente coordenador pedagógico no Colégio Onis e Regina Mara atualmente orientadora pedagógica no Colégio Onis. O bate-papo mergulhou profundamente nas transformações provocadas pela escola com a adoção de uma medida ousada: a proibição do uso de celulares no ambiente escolar. Mas o que poderia soar como um retrocesso tecnológico se revelou uma revolução humana. “O celular gera ansiedade. A criança fica esperando uma mensagem que não chega. E aí? Perde o mundo ao redor”, destacou Regina. A decisão impactou diretamente nas relações interpessoais e na concentração dos alunos. Com o aparelho fora de cena, surgiram novas dinâmicas: voltaram os jogos de tabuleiro, o pião, o bafo de figurinhas, e até o ioiô. "Uma criança me pediu para jogar ioiô no intervalo, com o maior entusiasmo", contou Orlando. A escola, antes vista apenas como local de aprendizado formal, agora assume o papel de espaço vivo de experiências sociais. E esse é o ponto central da conversa: mais do que ensinar fórmulas e datas, a escola precisa formar pessoas que saibam conviver. “É fácil adquirir conhecimento. Difícil é aprender a conviver em grupo, respeitar diferenças, desenvolver inteligência emocional”, enfatizou Regina. O Colégio Onis tem apostado em atividades que exigem diálogo, escuta e negociação. “Trabalhar em grupo é difícil até para adultos. Imagine para adolescentes! Mas é assim que eles desenvolvem maturidade social e emocional”, reforçou Orlando. Ao eliminar o uso contínuo de telas, a escola abriu espaço para o olho no olho, para as conversas reais, aquelas que provocam, que desafiam, que ensinam. Gabi Morais, que é especialista em inteligência artificial, trouxe um ponto crucial à discussão: como equilibrar o uso de tecnologia com o desenvolvimento crítico? “A IA pode ser uma ferramenta, mas não pode mastigar tudo para o aluno. É preciso promover o debate, o confronto de ideias. O professor precisa mediar esse processo”, alertou. A conversa ainda abordou questões delicadas, como ansiedade, TDAH e os desafios comportamentais cada vez mais presentes nas salas de aula. “Temos muitos casos de crianças com sintomas de ansiedade. E o trabalho do orientador educacional, nesse sentido, é essencial. Acolher, ouvir, identificar gatilhos e envolver a família”, explicou Regina. Outro ponto de destaque foi o papel da família na educação emocional. “Escola e família não podem estar em guerra. Somos parceiros. Se a criança recebe orientações contraditórias, ela se perde”, pontuou Orlando. A parceria entre pais e educadores se mostra fundamental para o sucesso de qualquer ação pedagógica, especialmente em tempos de hiperconectividade e excesso de estímulos. Durante o programa, as apresentadoras também discutiram os efeitos da privação de sono, da falta de rotina de estudos e da ociosidade nociva. O Colégio Onis, por sua vez, tem buscado ocupar os alunos com atividades prazerosas, que envolvam corpo e mente: oficinas de arte, debates, esportes e momentos livres de qualidade. “É preciso permitir também que a criança fique no sofá sem fazer nada. Isso é saúde mental”, lembraram. Além disso, os convidados ressaltaram que o combate ao bullying e à exclusão passa por uma vigilância ativa e acolhedora, com escuta, empatia e participação das famílias. “Muitos conflitos começam fora da escola, no prédio, no clube, no WhatsApp. E acabam respingando aqui. Por isso, precisamos de um diálogo aberto com os pais”, disse Regina. Ao final do episódio, o sentimento era unânime: a escola precisa ser um espaço onde se aprende muito além do conteúdo. Onde se desenvolvem habilidades para a vida como empatia, escuta, tolerância, concentração e convivência. E nesse cenário, deixar o celular de lado não é uma punição, mas uma libertação. Onde assistir? Além de poder conferir os episódios dentro do site de A Tribuna, o podcast Fique Bem também está disponível no Spotify e YouTube. *Esse podcast é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelo conteúdo veiculado neste espaço.