. Maria Heloíza, Silvia Picado, Cláudia Duarte e Gabi Morais no Podcast Fique Bem (Marcela Bonfanti) No episódio mais recente do podcast FIQUE BEM, a Cláudia Duarte e a Gabi Morais conduzem um diálogo potente com duas médicas referência em suas áreas: a pediatra e reumatologista infantil Maria Heloíza Ventura, e a cirurgiã de cabeça e pescoço Silvia Picado. O episódio mergulha nos bastidores do 14º Congresso da Associação Paulista de Medicina (APM), realizado em Santos, e vai além ao discutir temas fundamentais como a integração entre tecnologia e empatia, prevenção de doenças, e a importância do acolhimento no cuidado com o paciente. Medicina + Inteligência Artificial: ameaça ou aliada? Para Silvia Picado, a IA pode, sim, ser uma aliada quando bem utilizada. “Ela aproxima o paciente do conhecimento, mas é preciso saber usar, fazer a pergunta certa, ter senso crítico. Não substitui o olhar humano, o toque, o acolhimento”. Maria Heloíza complementa dizendo que a IA é um suporte valioso, desde que os profissionais tenham uma base sólida de conhecimento para interpretá-la corretamente. A revolução silenciosa dos prontuários eletrônicos Outro destaque do bate-papo foi a discussão sobre os prontuários eletrônicos. Ferramentas como reconhecimento de voz e automação de anamnese estão otimizando o tempo do médico para que ele possa fazer o que realmente importa: escutar o paciente. Maria Heloíza ressalta que, além de organizar o atendimento e gerar economia de tempo e recursos, esses sistemas facilitam pesquisas científicas e publicações acadêmicas. “Quando bem utilizado, o prontuário eletrônico deixa o profissional mais disponível para enxergar o ser humano por trás do sintoma”, pontua. Cuidado que começa antes do nascimento No campo da pediatria, Maria Heloíza fez questão de enfatizar a importância da prevenção desde a gestação. “O pediatra é o primeiro médico da criança e, hoje, já acompanha até o pré-natal. Com uma puericultura bem feita, garantimos um adulto mais saudável amanhã”, explica. Ela também chamou atenção para a baixa adesão às vacinas após a pandemia, inclusive para doenças como coqueluche e dengue. A médica reforça: “Vacinas salvam vidas. Crianças vacinadas têm quadros mais leves e complicações muito menores”. Amamentação: leite fraco não existe O episódio também se aprofundou no universo da amamentação, aproveitando o mês do “Agosto Dourado”. Maria Heloíza, que também é mãe, compartilhou sua experiência real com dificuldades no início da amamentação e reforçou que o sucesso depende, muitas vezes, da rede de apoio e de informações corretas. “Não existe leite fraco. Uma mãe desnutrida ainda consegue amamentar com qualidade”, afirma. Ela destaca a importância da Rede de Amamentação da Costa da Mata Atlântica, que promove capacitações em toda a Baixada Santista para profissionais da saúde e mães. O papel social do médico e a força da APM Santos Silvia Picado também divide suas atividades na diretoria social da APM, com iniciativas como o projeto Menina Mãe, voltado a gestantes adolescentes e a Rede de Amamentação. Esses projetos oferecem transporte, alimentação, enxoval e, principalmente, informação de qualidade para prevenir a reincidência da gravidez precoce e fortalecer o vínculo com o bebê. “Essas adolescentes muitas vezes estão sozinhas, sem rede de apoio. Ali, elas encontram acolhimento médico, psicológico e formação para recomeçar com dignidade”, destaca Silvia. Tecnologia que transforma cirurgias e vidas Na área da cirurgia de cabeça e pescoço, Silvia aponta como a tecnologia tem permitido procedimentos cada vez menos invasivos e com maior precisão. “Hoje, uma cirurgia de tireoide que levava duas horas, dura meia hora com monitor de nervos e pinça seladora. Com menos sangramento, menos risco, mais segurança”, afirma. Ela também falou sobre a importância da detecção precoce de cânceres de cabeça e pescoço. “Mais de 90% dos casos têm cura quando descobertos no início. A atenção aos sinais faz toda a diferença”, alerta. Burnout e a importância da comunidade médica A conversa também abordou a realidade pouco falada dos médicos: o burnout. “O médico não aprende na faculdade a lidar com dinheiro, com tempo, com luto. Muitos emendam plantões, não têm vida social”, comenta Silvia. Ela reforça o papel da APM como espaço de acolhimento e troca entre gerações onde o médico mais novo aprende com os mais experientes, e o mais velho se nutre da energia e da tecnologia dos colegas recém-formados. Conclusão: uma medicina mais humana é possível (e necessária) O episódio do podcast FIQUE BEM mostra que o futuro da medicina passa, necessariamente, pelo equilíbrio entre inovação tecnológica e conexão humana. E eventos como o congresso da APM são essenciais para disseminar esse pensamento, não só entre médicos, mas também para a população, que merece ser atendida com atenção, empatia e excelência. Onde assistir? Além de poder conferir os episódios dentro do site de A Tribuna, o podcast Fique Bem também está disponível no Spotify e YouTube. *Esse podcast é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. 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