Ketlen Wiggers. Gabi Morais, Cláudia Duarte e Mariana Paiva no Podcast Fique Bem (Marcela Bonfanti) No episódio mais recente do podcast Fique Bem, o microfone foi entregue a duas mulheres que, apesar de trajetórias muito diferentes, compartilham um elo poderoso: a escuta profunda do próprio corpo e o compromisso com a saúde em todas as suas camadas. -video youtube (1.461851) De um lado, a médica ginecologista e obstetra Mariana Paiva, especialista em endoscopia ginecológica, com pós-graduação em medicina funcional integrativa e fisiologia hormonal avançada. Do outro, Ketlen Wiggers, atacante do Santos Futebol Clube e maior artilheira da história das Sereias da Vila, que agora vive uma nova fase: a da maternidade. Juntas, elas protagonizaram um episódio sensível, repleto de aprendizados, emoções e muitas risadas. “Entender o corpo é um ato de coragem” Logo nos primeiros minutos do podcast, Mariana trouxe um tema central: o quanto o corpo da mulher é negligenciado — inclusive por ela mesma. “A gente só começa a dar atenção quando dói, quando falha, quando atrasa”, disse, em referência aos ciclos menstruais, ao funcionamento hormonal e à relação com o envelhecimento. Para a médica, saúde não é ausência de doença, mas o equilíbrio entre os sistemas físico, emocional e mental. “Quando o corpo fala, a gente tem que parar para ouvir. A questão é: você está escutando?” A fala foi o ponto de partida para Ketlen refletir sobre como aprendeu a ouvir seu corpo com a bola nos pés. Desde os 15 anos no Santos, a atleta relatou que sempre viveu sob uma rotina intensa de treinos, jogos, viagens e pressão. “A gente é ensinada a aguentar dor, a não parar, a ignorar os sinais. Só que agora, grávida, tudo mudou”, contou com um sorriso tímido, mas cheio de orgulho. “A maternidade me virou do avesso, no melhor sentido” Ketlen está grávida e revelou que o início da gravidez foi também um mergulho interno. “Pela primeira vez, eu precisei desacelerar de verdade. E foi estranho, porque meu corpo não está acostumado com pausa. Mas é nessa pausa que eu comecei a perceber coisas que antes passavam batido.” Mariana elogiou a maturidade da jogadora e trouxe uma reflexão contundente: “A mulher atleta é ensinada a competir, a superar. Mas a gravidez pede entrega, presença, vulnerabilidade. São caminhos muito diferentes — e que exigem coragem para coexistirem.” O episódio se aprofundou ainda na invisibilidade da saúde da mulher no esporte de alto rendimento. Ketlen contou que, mesmo após tantos anos de carreira, apenas agora há um acompanhamento voltado para suas questões hormonais ou ginecológicas. “Só agora, com a gravidez, é que eu comecei a entender o quanto tudo isso importa.” Hormônios, ciclos e força: quebrando tabus Com linguagem acessível e acolhedora, Mariana explicou como os hormônios femininos interferem diretamente na disposição física, no desempenho esportivo, na libido e até no humor. “Durante muito tempo, a medicina separou o corpo por especialidades. Mas o corpo não funciona em pedaços, ele funciona como um todo. Uma atleta que não menstrua, por exemplo, pode estar em um quadro de alerta do ponto de vista metabólico.” A conversa, repleta de momentos de identificação, também passou pela importância do sono, da alimentação e do suporte emocional — fatores que Mariana chama de “pilares da saúde feminina”. Ketlen Wiggers. Gabi Morais, Cláudia Duarte e Mariana Paiva conversando no Podcast Fique Bem (Marcela Bonfanti) “É possível ser forte sem ser dura” Ao longo do episódio, Ketlen emocionou os ouvintes ao falar sobre a transformação interna provocada pela gestação. “A gravidez me ensinou que não preciso ser a mais rápida, a mais resistente, a mais imbatível o tempo todo. Eu posso ser forte e, ao mesmo tempo, sensível. Posso cuidar e ser cuidada.” Mariana reforçou esse ponto ao dizer que uma das maiores revoluções que a mulher pode viver é se permitir ser inteira. “Nos ensinaram a caber em caixinhas: a médica que não erra, a atleta que não para, a mãe que não reclama. Mas não é sobre isso. É sobre viver o que somos em profundidade — e com afeto.” Um convite à escuta e à reconexão O episódio termina como começou: com verdade. Mariana e Ketlen deixaram uma mensagem que ecoa: é preciso falar sobre saúde da mulher com naturalidade, com ciência e com empatia. E, principalmente, é preciso escutar o que o corpo tem a dizer. “Não dá para ser boa jogadora, boa médica, boa mãe ou boa mulher sem estar conectada com a própria saúde. Tudo começa por aí”, resumiu Mariana, em uma frase que poderia muito bem ser o lema do podcast. Já Ketlen encerrou com um recado especial para quem a acompanha dentro de campo: “Agora, meu maior gol é outro. E esse eu vou marcar com o coração.” Onde assistir? Além de poder conferir os episódios dentro do site de A Tribuna, o podcast Fique Bem também está disponível no Spotify e YouTube. *Esse podcast é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelo conteúdo veiculado neste espaço.